Wednesday, August 24, 2011

A Teoria dos 4 Pontos

Após dois anos de haver recebido esse esclarecimento bombástico, ter pensado, aplicado, refletido e repassado na sabedoria oral, achei o momento para dividí-lo em registro virtual.

O Amor... Sempre. Fala-se, busca-se, sonha-se, discute-se...

Será mesmo que todos nós estamos em busca Dele? Uns querem poder, domínio. Outros poder, quantidade. Outros, reconhecimento, atenção. Outros, auto-afirmação, carinho. Outros, aceitação social, segurança. Outros - esses em menor quantidade na minha idade* - buscam, de fato, com sinceridade, o companheirismo. Parece que este último elemento seria a busca ‘correta’ na tradição católica cristã, mas fica a dúvida se é isso mesmo que dividimos com os nossos comuns, o companheirismo... Precisamos de tantas outras coisas para nos satisfazer... Companheirismo, não medo. Não insegurança...

* a idade do desespero invisível mascarado pela impressão de falsa segurança mascarada pela incerta e corruptível fantasia do potencial de enriquecimento material que mascara insegurança

Conheço pessoas que, hoje, vivem três fases diferentes desse ‘ideal’ (entendendo-se por ‘ideal’ o relacionamento que vai ficar até o fim dos tempos):

- os solteiros exigentes que não vão se acomodar com o mediano nessa altura do campeonato (tem que ser mais do que tudo o que passou. E na minha idade, já passamos por alguma coisa. Boa e ruim. Tem que ser melhor que a boa.);

- os namorados esperançosos (‘Admiro ele porque ele é assim.’ ‘Admiro ela porque ela é assado’. Entrelinhas: ‘Pensamos em casar e vai dar certo.’ Serve para recém-casados: ‘Somos bem casados e vai dar certo.’ Também pessoas da minha idade...);

- os casados já há algum tempo que acham que deve haver conversa, um pouco de sacrifício, engolir uns sapos e deixar passar umas coisas faz parte. São um pouquinho mais velhos que eu. Às vezes já têm filhos pequenos; alguns mudaram bastante depois dos filhos. São pessoas que, por causa dos filhos, já estão acostumadas com o não ideal. O filhote em primeiro lugar, ainda vivem para ele e vão viver por um bom tempo, não tem alternativa.

Conheço o quarto caso que não vou aprofundar, que é o caso dos casais mais velhos que conheço, que já têm filhos um pouco maiores. Uns continuam se relacionando bem com seus parceiros; outros acham que o casamento é uma instituição falida, e que se casaram para ter filhos - que é o melhor que fizeram na vida - apesar de não estarem sempre contentes com eles. Não se arrependem, mas não investem tanto nos parceiros. Relacionamentos “brochados.” Uns são separados, outros não. É um caso recorrente, mas não vou aprofundar porque não penso nele agora. Não vem ao caso.

A minha dúvida é:

Os solteiros, os namorados e os jovens casais pensaram na teoria dos 4 pontos quando escolheram investir em seus parceiros presentes ou descartar os passados? Não que saber a teoria (porque chamei de teoria?! É um fato!) vá mudar alguma coisa. Muito provavelmente não mude nada. Mas esclarece!

A teoria (ou sabedoria?) dos 4 pontos me foi passada em Setúbal, Portugal, por um jovem diretor finlandês muitíssimo talentoso de quem eu espero ainda ouvir falar muito. É um moço jovem, inteligente, que ganha bastante dinheiro com seus filmes (Sim! É verdade! Os filmes dele têm bastante bilheteria), e muitíssimo bacana. Ele vai escrever um livro sobre a teoria dos 4 pontos, que eu tenho certeza que vai ser muito mais esclarecedor que esse post (claro, é do mestre!), então vou mencionar a teoria que ele me explicou sumariamente e vou desenvolvê-la segundo as minhas interpretações pessoais e pontos de vista. Que fique claro que a teoria é DELE, não é minha. Estou apenas refletindo em cima dela. Preparando o caminho...

É o seguinte. Segundo D., existem 4 pontos importantes num relacionamento Homem&Mulher com potencial do que a gente chama de ‘dar certo’. Sem ordem de importância, são esses:

1. Compreensão Moral

2. Gostos

3. Tensão Sexual (ou Química)

4. Fatores Externos

A teoria é simples. Tendo três pontos em comum, o relacionamento dá certo. Não importa se no decorrer do tempo um fator desapareça. Se outro vier para substituí-lo, tendo TRÊS, o relacionamento simplesmente dá certo.

Se entre um homem e uma mulher só houver dois ou um fator comum, aí não dura. Não tem como. Tem que ter três.

Se os quatro fatores baterem, então, no comments. Casais felizes que eu invejo e quero ser.

1. Compreensão Moral
Como vocês pensam a vida. Filosofia, perfil, certos e errados. Quando te batem na face, você oferece o outro lado ou cai na porrada? Visão do mundo e o que ele significa. Valorizam momentos de solidão ou têm que fazer tudo juntos? Como vão usar o dinheiro que ganharem. O que é importante. Guardar ou investir? Plano de saúde ou viagem? Escola hippie ou meritocracia? Bem estar ou sacrifício? Educação ou aparência? A aula de violino ou o clube?
Ética. No que vão investir o TEMPO. Melhor fazer certo e ganhar menos ou pegar dos outros e multiplicar? Tudo bem porque todo mundo faz ou foda-se os outros, o caminho é aparentemente difícil mas sua consciência está limpa?
Religião.
Tenho a impressão de que a compreensão moral e a (falta de) química são as grandes causas de separações, o que prova que compreensão moral é importantíssima, mas um casal dura sem esse fator em comum se os outros três estiverem de pé. Mesmo porque às vezes demora para saber. Mesmo, de verdade.

2. Gostos
Espírito aventureiro, artes, música, esportes, comida, ficção científica, crença em vida extraterrestre... Legal alguém que curte as coisas que você curte, né? Muito legal.

3. Tensão Sexual (ou Química)
Elemento Divino e fora do controle humano. Nunca se sabe. Não dá para forçar a barra. Já ouvi que a prática traz perfeição, mas acho que esse pensamento caberia quase que na compreensão moral. A química autêntica realmente vem do além. Não tem explicação. Claro que ser limpinho ajuda, mas entre dois limpinhos, o que faz um se destacar mais do que outro? Metafísica... Fator poderosíssimo.

4. Fatores Externos
Os dois envolvidos estarem vivos, morarem na mesma cidade/país, terem idades compatíveis ou pelo menos socialmente aceitáveis, estarem descomprometidos, nenhuma tragédia relacionada. No meu mundo atual - que envolve meu círculo de amigos - conta muito morar na mesma cidade/país. Muitos casos não vingam por causa desse elemento...

Agora, me digam... Pensem em todos os relacionamentos e semi-relacionamentos que vocês experimentaram na vida. Não é simples? It works!!! Não é uma fórmula, apenas uma conscientização.

Achar não é fácil, mas pelo menos com a teoria dos 4 pontos a gente sabe o que está procurando. Eu poderia dar um workshop disso... Poderia montar um pdf... Quem quiser me pagar, estou precisando de grana. Pelo menos a insegurança não está mascarada. Super latente, gritante, preciso de freela!

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