Ontem, M., a produtora do meu projeto, me respondeu comentando um arquivo que eu tinha enviado com os textos para a apresentação.
Eu acho ótimo trabalhar com uma produtora grande e experiente porque eles são bem pontuais: é isso, não é isso; isto está bom, isto está péssimo; coloca, tira.
No fundo, você, como a autora do texto, fica querendo um parabéns, um joinha, uma estrelinha, uma carinha sorridente que não vem, mas eu sei que apesar da minha imaturidade interna, tenho tamanho e corpo de adulta - Síndrome de de Macunaíma - e devo agir como o corpo demanda. Portanto, depois de digerir e de me convencer de que não é pessoal, ou seja, eu não sou péssima escritora e não deveria estar fazendo iss... (Paula, pára!), vou sentar e refazer.
Estou vendo que trabalhar num longa autoral é totalmente diferente de fazer um trabalho para outra pessoa ou empresa. O que torna o trabalho às vezes extremamente extenuante e estressante é que se está julgando o seu talento inato e a maturidade dele e de você mesma. É amedrontador, porque você perde tempo questionando a sua própria habilidade e o valor do que você escreve, que se confunde com o que você é. Não tem intervalo, não tem descanso.
Quando se escreve ficção distanciada, a gente não se apega tanto às críticas, tudo acontece mais rápido e é mais objetivo. É mais fácil de pontuar e de corrigir.
Atrasei duas semanas para enviar os textos, tentando pesquisar o máximo possível antes de botar a mão na massa... Escrevi, enfeitei, mandei... E um dia depois recebi as críticas. Você demora, demora... Os outros dão uma lida ou assistem ao filme rapidinho e julgam. Muito simples. Eles vêem tudo de uma forma muito mais simples do que você mesma.
Lembro de um diretor amigo meu uma vez discutir comigo sobre o segundo pum de um dos personagens do curta cômico dele, um padre. “Segundo pum ou não segundo pum?” Você não quer parecer infantil e sugerir que não tem o domínio do tempo narrativo e não confia na comicidade do primeiro pum, mas o fator inesperado que é o segundo pum do padre pode desenvolver e intensificar o humor se utilizado da forma e no momento certo. Pode fazer o sucesso ou o fracasso de um diretor cômico. O segundo pum do padre. Eis a questão.
O processo de auto-crítica envolve muito tempo e cuidado mental para você mesmo se controlar para não fazer muito mais nem muito menos do que você deve. Temos que ser profundos, mas temos que ser rápidos. Escolher apenas o que cabe. Não mergulhar em referências que não entram nesse projeto em específico e pirar nelas, mas não criar fatos sem referência real. E uma referência leva a outra. Posições diferentes em relação à um mesmo assunto... Afinal, você não quer parecer ingênua...
Enquanto pensava nesse post, hoje às oito da manhã um colega de natação me disse que viu o filme do Facebook e se lembrou me mim.
Como assim?!
Ele disse que é porque o cara é criativo e inteligente. Apesar de eu saber que ele me disse aquilo na melhor das intenções e ter um certo quê de confortante ser lembrada e associada de alguma forma a um filme que ganhou vários Oscar, o protagonista passa todo mundo para trás para fazer os projetos dele e se fode emocionalmente no final.
Hein?!
Aí ele me perguntou se eu tenho namorado, e deu a entender que pronto! É isso! Problem solved! Ele acha que os homens têm medo de mim por isso eu sou solteirona, pois ausência de namorado = problema estrutural.
Normalmente eu não desenvolveria essa questão, mesmo porque falo muita besteira com esse cara, mas confesso que pensei no assunto. Realmente, eu sou uma pessoa que não tem o costume de ter namorados, e sinceramente não acho que eu seja chata, não-atraente, não-interessante, antisocial. ... Como dizia meu irmão quando ele recebia o boletim na escola: “Tem gente que é pior do que eu.”. E eu saio em ‘dates’. Alguns amigos e amigas já tentaram me analisar, e, para não dizer ‘corrigir’, me ‘dar umas dicas’. Tem que ter um problema, não? ...
Tem muita mulher legal e solteira por aí e há inúmeras razões para isso, mas no meu caso, quando tocam nesse assunto, me sinto muito mal compreendida. Sempre cai em discussão de roda, meu jeito de pensar e minhas ações são sempre julgadas, fazem votação, as pessoas realmente acreditam que eu DEVA ser namorada de alguém, alguém PRECISA me namorar, precisamos corrigir isso...
Não acho que é falta de lutar por, de procurar, de entender, de ser mais paciente ou de mostrar interesse. Na maioria das vezes as pessoas querem me convencer de que algo falta, mas eu não vejo assim. Nada falta, mas se o bom vier, é lucro. Vou estar MELHOR. Agora estou BEM. O que tem de errado nisso? Aí, como fica aquela cara de tacho geral, as pessoas concluem: ah, ela está só curtindo... É que eu não achei o homem da minha vida... Porque todos os que saíram comigo até hoje, eu não gostei de verdade, DE VERDADE mesmo...
Não pode ser que simplesmente não ande batendo ou não seja.
Eu me dedico do meu jeito. Se meu jeito é mal compreendido hoje, ele vai ser mal compreendido amanhã, então por que me forçar a acreditar que o que não funciona hoje entre duas pessoas vai funcionar amanhã entre essas mesmas duas pessoas? Pode ser, poder não ser. A única certeza é de que hoje não é. Problem solved! Essas coisas não se busca, e, semiseguindo a lógica dos que me dizem que eu não encontrei o uhum... homem da minha vida, eu realmente acredito que ele cai do céu. Portanto, assim como Rob Thomas, “I won´t do anything at all.”.
Uma parábola: quando eu estava no ginásio ou no colegial, teve uma equação na prova de matemática que deu o que falar naquele bimestre. Acho que era uma daquelas últimas questões cabeludas de uma página que valem dois pontos. Uma porcentagem pequena da sala tinha chegado na resposta que o professor tinha previsto:
S = {1/2, 2}
Umas sete ou oito pessoas e eu, chegamos à seguinte solução:
S = {-2, -1/2, 1/2, 2}
Eu acho que era isso mesmo, não lembro direito, faz muito tempo. O que eu quero enfatizar aqui é que nem o professor tinha levado em conta essa possibilidade. Para ele e para a maioria dos que resolveram o problema, só tinha duas respostas. Só oito ou nove dentre no mínimo umas duzentas pessoas acharam quatro. Quatro é o dobro de dois. Era a resposta completa. Quer dizer que a maioria das pessoas que chegaram em duas respostas estava satisfeita mas apenas parcialmente certa (o pior é acreditar que se está absolutamente quando se está parcialmente) e a minoria estava absolutamente certa, apesar da resposta completa não estar no gabarito e as outras pessoas acharem que elas estavam erradas por serem minoria.
Me entendem agora?
Pode ser que haja outras respostas que vão resultar numa solução mais completa. Acha todas as respostas quem fica sentado olhando a equação por um tempinho a mais. E outras coisas.
:)
Estou tentando.
Hoje foi quase. É sexta-feira, a semana foi fria, estou de TPM, levemente gripada, trabalho está doloroso e os relacionamentos não estão vingando.
Mas não, não vou fazer AQUELA pergunta. Não vou, porque não tem.
Oras!


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