Tuesday, October 25, 2011

365 Dias

Em uma semana plus um dia vou fazer 28 anos.

Eu sou uma ex-menininha que já se propôs a muitas metas de tempo x idade.

-Z) 11-12 anos: idade em que comecei a impor metas relacionadas a números. Nessa idade, o objetivo era o seguinte:

18 anos: sair de casa e comprar um apartamento.

-Y) 18 anos: idade em que eu me dei conta de que não dava para comprar um apartamento porque as contas que eu fiz partiam do pressuposto de que eu era excepcional. Correção: ‘extraordinária’ - porque eu li Crime e Castigo aos 11 e na época só absorvi a parte do ‘ordinário’ X ‘extraordinário’ – achei que estavam falando comigo... (e, nas sábias palavras da Jú, eu achava que seria recompensada financeiramente pelo intelecto, expectativa ilusória)

-X) 21 anos: idade em que as metas de tempo x idade voltaram. Nessa idade, o objetivo era o seguinte:

24, 25 anos: conhecer um moço legal
27 anos: casar com esse daí
32: filho #1
34: filho #2
35 ~ __: formular as metas para os anos seguintes

0) 22 anos: fui para um festival de cinema internacional e conheci uma pessoa que me relembrou porque eu tinha ido para a faculdade de Audiovisual e por que eu sou assim.

+X) 22 anos e um dia até 22 anos e uns dois meses: “é aqui que eu quero ficar?!”Aqui sendo metonímia para tudo em todos os níveis e abrangências do lugar em que eu estava.

+Y) 22 anos e dois meses para frente: a vida mudou. E todo o resto mudou junto. Me livrei fisicamente do ambiente e do histórico. Esses poucos dias valeram a vida inteira. Internamente.

+Z) Eu sou eu, independente do lugar em que me jogaram. Apesar de ser modificada, limitada ou desenvolvida pelo ambiente, eu sou eu. E eu sou a única que pode fazer alguma coisa com isso. Internamente.

ALMOST 28) Estou lendo um livro interessante. Olha esse parágrafo de um trecho que li ontem:

“Ela simplesmente sobreviveu. Subestima-se muito essa capacidade. As pessoas acham que, se não vencerem, são fracassadas. Mas muitas vezes o que importa é sobreviver.”

Sexta passada saí com minhas amigas e elas ficaram falando sobre colégio, expectativas e desilusões. Estávamos em 3. Elas estavam criticando a formação incompleta, a mentalidade de que existem fracassados e bem-sucedidos. Elas acham que alguém colocou isso na cabeça delas. Eu discordei. Não vejo as coisas desse jeito. Prá mim tudo e todos são posições, pontos de vista diferentes em relação à algo muito maior, e eu sou muito a favor de opiniões e perfis, quando eles são claros e bem fundamentados. Não ter opinião é resultado de duas coisas:

1. não ter conhecimento suficiente do assunto;
2. irresponsabilidade. Tirar o corpo fora.

ps: não ter opinião AINDA é outra coisa...

Temos que tentar evitar culpar os outros. Não porque eles não sejam culpados, mas porque num primeiro momento mudanças externas não dependem de nós.

Eu acho que me colocaram num meio, num tempo, num mundo, em que números e conceitos de sucesso e fracasso existem como paliativos. É a continuidade da necessidade de categorização do mundo pelo homem. Adão ainda está tentando botar nome nas coisas.

Mas com 28 anos eu estou segura de que nada disso cabe à mim. Não se encaixa com o meu mundo interno. Sucesso, fracasso, dinheiro, posição, filhos, felicidade, poder, reconhecimento... Tanto faz. Tanto faz. Mesmo.

Um dia eu quero uma coisa, outro dia outra coisa faz falta. Mas todos os dias continuam, e estou sobrevivendo. E nada permanece.

Os melhores momentos da minha vida foram momentos e eventos que se deram após e em decorrência de rupturas e desilusões. Decepções. Momentos em que tive a impressão de que meu esforço foi em vão. Isso sempre me abriu portas para ver o além de todos esses números e conceitos falhos.

O capitalismo está em crise. Conseqüentemente, a carreira bem-sucedida, o enriquecimento material, o bem estar, a beleza e o sucesso familiar e social são falhos. É tudo invenção. Especulação. Ninguém chegou lá.

Então, pensemos em sobreviver e fazer o que nos faz bem. O que é natural.

Ficar querendo ultrapassar os outros, necessitar auto-afirmação intelectual e acadêmica, maquiar auto-confiança e auto-conhecimento... aos 28 anos... What the hell.

25 de Outubro de 2011.

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