O verão tropical é insubstituível. Não tem nada que se equipare ao sentimento outdoors do verão brasileiro. Eu, pelo menos, nunca senti nada equivalente até hoje em nenhum lugar do mundo.
Tenho que aproveitar essa energia positiva para dividir minhas ótimas de bon vivant. Mais ou menos nas palavras de um amigo que encontrei anteontem, estou na crista da onda. Feliz comigo, sem inseguranças estéticas, com saúde, freelas bombando, pessoas legais, vida social ótema, com idéias minhas, sendo diariamente desafiada por idéias e comportamentos diferentes, semifinalista de edital (que vai ser publicado depois de amanhã) e outras coisas. Eu sei que isso é uma fase efêmera, assim como muitas fases ruins foram e serão, mas a efemeridade não destitui o valor da intensidade momentânea. Que seja eterno enquanto dure. Está registrado. Nos futuros momentos ruins da minha vida vou lembrar dessa época – porque ela está registrada e meu memento não vai limitar a minha existência – e vou ter certeza de que o ruim é passageiro.
O título do post é uma hommage ao diretor Park Jeong Bum e seu amiguinho Matías Meyer, que se divertiam testando a minha paciência feminista no Festival Internacional de Paraty. Segundo eles, essas são as frases usadas para amansar uma leoa.
- Thank You.
- I Am Sorry.
- I Pay!
Segundo eles, a eficácia delas é cientificamente comprovada. Aparentemente. Whatever. Eu sou eu, válida e com as minhas crenças e posições. As outras, sejam elas maioria ou minoria, q s f.
O Festival Internacional de Paraty (2011) foi simplesmente demais. Filmes bons no conceito bom de autoral, pessoas excepcionalmente bacanas e inteligentes e mentes abertas e belas no meu conceito de bacana, inteligente, mente aberta e bela, lugar paradisíaco e eu estava numa situação privilegiada, porque tudo foi lucro. Não tinha a insegurança e o stress extra de ter um filme meu sendo exibido, mas eu sou da área, então o papo e as pessoas eram comuns. Deu para aproveitar. Caiu na hora e no momento certo. Tenho muita sorte. Mas trabalhei duro para chegar aqui.
Ontem um diretor com quem estou trabalhando me disse uma história que cabe. Ele contou que no início do casamento ele estava trabalhando horrores para estruturar a família e se estabilizar, e a esposa dele disse algo parecido com:
“Que sorte que temos dinheiro.”
Um belo dia ele acorda, senta na mesa e se depara com o iogurte e o cereal em cima da mesa que a esposa arrumava para ele diariamente. Foi a deixa para ele dizer:
“Que sorte que esse iogurte e esse cereal aparecem em cima da mesa toda manhã para mim.”
Éh... Meio que isso.
Estou gostando bastante dos trabalhos que tenho feito ultimamente. É uma safra de boa qualidade. Acho importante comentar o processo. Divergência impulsiona a discussão. A discussão quebra o silêncio. Evidencia as diferenças. E isso é importante. Valida. Por isso, eu sou a favor. Não gosto de deslumbramento e tento me policiar para que na minha vida eu passe por todos os níveis necessários e que isso resulte em uma alma crítica, ética e correta, sem limitar o meu potencial de arriscar, provocar e errar. Errar é um potencial. Temos que explorá-lo também, porque ele faz parte da existência. Por isso que eu tenho esse blogue. Por isso que eu não desisto.
Eu acredito nas pessoas ao meu redor. Acredito na inteligência delas. Gostaria que elas se desenvolvessem e chegassem perto do 100%. É o que eu desejo para mim.
Sei que existe uma outra dimensão. Pessoas que têm outras preocupações e objetivos. Tudo bem. Mas a minha turma é outra. Só que vivemos no mesmo espaço físico, temporal, político, cultural... E isso dificulta, mas é muito bonito quando as pessoas assumem o compromisso de coexistirem.
Tomar decisões é difícil. Mas está valendo.



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